quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Comendo em Gramado (Parte I): Restaurante La Caceria

Gramado é um charminho de cidade e adaptável a qualquer tipo de viagem, desde as mais românticas até as familiares com crianças. Agrada aos que gostam de explorar tudo à pé ou de bicicleta, a quem não dispensa o contato com a natureza e, principalmente, aos que curtem destinos gastronômicos, pois oferece aos visitantes milhares de lojas de chocolate, cafés coloniais, chalés que servem fondue de queijo e de carne na pedra, comidas alemã e contemporânea de alta qualidade.
E, certamente, eu vou contar para vocês um pouquinho das comidinhas que vi por lá. Começando pelo restaurante que foi o que mais me surpreendeu, o “La Caceria” do Hotel Casa da Montanha.
Como o próprio nome sugere, este restaurante é especializado em carnes de caça, com sabores marcantes e exóticos, como a paca, o cordeiro, o coelho, o javali, a codorna, o faisão, o perdiz e o marreco.
Num ambiente rústico, com ares de montanha, a madeira e as pedras compõem um ambiente bonito e aconchegante, adequado para casais apaixonados vivenciarem um agradável jantar.




O atendimento também é algo a se ressaltar. Garçons educados e bem preparados para atender o público próprio do lugar.
A carta de coquetéis da casa ainda não estava pronta, mas o garçom me informou que o barman poderia preparar qualquer drink tradicional que eu quisesse. Então, pedi um mojito, que foi executado com perfeição.


De entrada, provamos a “Salada de Codorna” (R$ 39,00), cuja composição era mix de folhas coloridas, tomate cereja, palmito salteado e croutons com pequenos pedaços de codorna grelhados ao molho balsâmico, oliva e mel. A codorna estava bem temperada e grelhada. O molho, no entanto, não parecia ter mel, predominando o sabor do vinagre balsâmico.


De prato principal, uma escolha cômoda e certeira teria sido o “Filé Tapera” (R$ 89,00), filé mignon acompanhado de massa farfalle ao molho de queijos, ou o “Cordeiro Lajeana” (R$ 98,00), carré ao molho de três pimentas, batata suíça e banana caramelizada.
Todavia, eu tinha ido até lá para sair da minha zona de conforto e ousar. Por isso, apesar de receosa, optei pela recomendadíssima “Paca Real”, que custa R$ 295,00 e serve duas pessoas. A paca é preparada na panela e servida com polenta de queijos com crocante de milho branco, acompanhada de três molhos: laranjas silvestres, mandioca ao Dijon e o molho da própria caça.
O corte parecia ser a coxa. Uma robusta camada de gordura entre a pele e o músculo, facilmente removível com os talheres, conferia à carne um sabor ímpar e uma maciez inacreditável. Eu e o meu marido ficamos babando. Ele comentou: “Se eu ver paca no menu de outro restaurante, nem lerei o resto, com certeza, vou pedi-la!”. Ficou claro que o Chef honra o prato que prepara.
O molho da caça parecia ser molho madeira. No outro, a mandioca suavizou bem o gosto da mostarda e o deixou encorpado. Mas o que me consquistou mesmo foi o de laranjas silvestres, com zero de acidez e levemente adocicado, que harmonizou perfeitamente com a carne. O queijo deu uma consistência mais liguenta à polenta, que também estava suculenta.
Ahhh... E antes que a "associação" protetora dos animais resolva me recriminar, em minha defesa, eu invoco os seguintes dizeres: as pacas servidas no La Caceria, segundo informações do próprio restaurante, são criadas em cativeiro, por criadouros cadastrados no IBAMA, que preservam a espécie e o ecossistema onde ela vive. Ou seja, há um consumo consciente e uma responsabilidade social com a fauna e o meio ambiente.


No cardápio de sobremesas, havia umas opções bem comuns, como o cheesecake com calda de goiabada (R$ 31,00), a torta de limão (R$ 31,00) e o strüdel de maçã (R$ 39,00). Mas nós optamos pelo “Crocante de Banana” (R$ 31,00), banana empanada em crocante de coco, recheada de doce de leite e acompanhada de sorvete de creme.
Visualmente parecia uns churros. A banana estava bem cozida, o crocante de coco bem sequinho e o doce de leite era de qualidade superior. Uma deliciosa maneira de encerrar a noite.


A saciedade não é a melhor sensação que se pode sentir ao sair de um restaurante. Este sentimento é a felicidade. E eu me senti leve e feliz ao sair do La Caceria. Espero que vocês, se tiverem a oportunidade, sintam-se da mesma maneira.

INFORMAÇÕES:
La Caceria
Av. Borges de Medeiros, 3166 - Centro - Gramado/RS
Fone: (54) 3295-7575

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sábado, 5 de dezembro de 2015

EPICE: Ousadia na composição dos pratos!

Tem certos restaurantes que, quanto mais a gente lê a respeito, maior vai se tornando a vontade de conhecê-lo. Assim aconteceu comigo e o Epice, pois todos os críticos qualificavam o Chef Alberto Landgraf como um pesquisador incansável, brilhante e criativo. E, de fato, a ousadia do cozinheiro é elevada o suficiente para te transportar a outra dimensão, onde a comida é exótica, mas deliciosa. Utilizando técnicas da gastronomia molecular, Alberto Landgraf surpreende os comensais com pratos ricos em texturas e sabor.
O restaurante é um tanto acanhado, quase imperceptível por quem transita pela Rua Haddock Lobo. No seu interior, uma decoração clean. Um painel de quadros coloridos, um ao lado do outro, tenta ganhar visibilidade, contudo, com o pé direito alto e as paredes brancas do salão, a composição aparece, no entanto, sem se destacar. Há um bonito bar na entrada e as mesas são perfeitamente dispostas no salão estreito e retangular.
O atendimento é primoroso, com garçons simpáticos, educados e solícitos, que conhecem bem o cardápio, todavia, que precisariam saber um pouquinho mais sobre a preparação dos pratos. Eu sei! Eu sei que só são chatos como eu que perguntam como as coisas são preparadas. Mas há pessoas assim, curiosas, é fato. E, num restaurante sofisticado e de valor elevado, queremos obter as respostas para todas as nossas perguntas. Até encontrarmos um chef esnobe, que mande a gente calar a boca e comer... kkkkkkk. Graças a Deus, isso nunca aconteceu comigo. E espero que não aconteça, pois acho perfeitamente natural se a pessoa gostar de algo e perceber que foi preparado de uma maneira que foge do tradicional, ela procurar saber como foi feito.
Antes de começar a falar sobre as comidas, vou explicar como funciona o cardápio. Normalmente, analisando os menus, encontramos o nome do prato, seguido do preço, e, embaixo, a sua descrição. No Epice, os pratos não ganham um nome de impacto (ou, talvez, alguns considerem que assim o seja), eles são apresentados, na verdade, pelo ingrediente principal e, abaixo, segue a sua descrição. Vou colocar umas fotos para vocês compreenderem melhor o que eu digo ;o)



Estávamos em 5 pessoas e, apesar de não termos optado pelo menu de preço fixo (10 pratos por R$ 320,00), participamos de um verdadeiro banquete, composto pelo couvert, 3 entradas, 1 prato principal para cada comensal e 2 sobremesas.
O couvert é bem simples, mas não deixa de ter o seu charme. Dois tipos de pães artesanais chegam quentinhos à mesa. Um tem a aparência de mini cinnamon roll, mas, na verdade, é um pão enrolado com "patê" de azeitona. O outro lembra um brioche bem fofinho. Para benzuntar os fermentados, há azeite extra virgem, manteiga Roni e flor de sal.



Como falei anteriormente, compartilhamos 3 entradas. A primeira delas foi a "Carne Crua" (R$ 35,00), entrecôte angus fatiado, ovo de codorna, farelo de pão e mostarda. Pelo fato da carne ser servida crua e conter mostarda na sua composição, pensei que teríamos algo parecido com um carpaccio. Mas as semelhanças pararam por aí. O corte é entrecôte, e não lagarto; as fatias são grossas, e não finíssimas. A farofa é crocante e saborosa. Os ovinhos têm a gema mole. Não senti o gosto da mostarda. E, mesmo misturando tudo, achei uma comida meio sem graça, sem tempero, sem tchan.


Nossa segunda entradinha foi "Batata Doce" (R$ 31,00), tubérculo que amo. Num prato fundo, foram servidos batata doce assada, tutano, emulsão de manteiga e batata doce seca. O contraste de texturas das batatas assada e chips (a seca), junto com a emulsão temperada com cebolete, resultou num prato diferente, adocicado e apetitoso.


A última entradinha que provamos foi "Alho poró e avelãs" (R$ 31,00), alho poró, purê de limão, vinagrete de avelãs e farelo de avelãs. Eu até gosto de risoto, quiche e molho de alho poró, mas comer o talo como estrela do prato soou bem estranho. Se não fossem as minhas companheiras de jantar, provavelmente eu jamais teria escolhido tal iguaria e, por consequência, teria me privado de um sabor sublime e maravilhoso, que nunca imaginei que o alho poró pudesse ter. Ele foi a surpresa da noite, extremamente macio, balanceado e delicioso.


De prato principal, as opções eram: robalo (R$ 89,00), polvo grelhado (R$ 93,00), pé de porco (R$ 85,00), costela de leitão (R$ 89,00), peito de frango orgânico (R$ 85,00) e entrecôte (R$ 95,00).
Fiquei com a última opção: entrecôte "Aberdeen Angus", purê de batata, cenoura braseada e creme de manteiga. O entrecôte parecia um filé mignon, fácil de cortar e de mastigar. Com o cozimento perfeito, um tanto rosado e esbanjando suculência. O purê era consistente e muito saboroso.
Eu sou uma verdadeira coelhinha. Sou capaz de comer cenoura a qualquer hora e sob qualquer forma (crua, cozida, assada ou frita). Adoro! E fiquei completamente apaixonada por esta cenoura, adocicada e quase pastosa, embora servida inteira. Eu precisava saber como ela tinha sido feita! O garçom não soube me explicar direito, mas, para a minha sorte, o souschef estava passando pela minha mesa e o garçom o chamou. Ele, super simpático e atencioso, me explicou que as cenouras são enroladas no papel alumínio com sal e bastante manteiga de garrafa, e assadas. Não são cozidas antes! Vão direto para o forno no papelote. Uauuuu... Apaixonei-me pelo meu prato!!!



Na hora da sobremesa, novo "lanche coletivo", pedimos duas para dividir. Uma delas foi a "Pêra" (R$ 35,00), compota de pêra, burrata de búfala, tomilho limão e mel de uruçu.
A burrata é um queijo cremoso, mas cujo sabor precisa ser incrementado com especiarias e outros ingredientes. Como entrada, em geral, ela é servida com tomate picado e temperada com azeite e manjericão. Na sobremesa, faltou esta pitada de sabor. A pêra apresentou uma consistência interessante, mas não tinha calda, e a quantidade do mel de uruçu não foi suficiente para aromatizar a burrata. Conclusão: as curvas da pêra até imprimiram uma certa beleza à criação, que ficou bonitinha, porém, ordinária.


Ainda bem que havia o "Chocolate" (R$ 35,00) para finalizar a noite com chave de ouro. Na cumbuca, sorbet de chocolate, aveia caramelizada, merengue de baunilha e creme de cacau. No melhor estilo da culinária molecular, os opostos interagiram, oferecendo num único prato o doce e o salgado, o quente e o gelado, o crocante e o cremoso. Uma verdadeira explosão de gostos e sensações.


A comida revela alguns tropeços do chef, é verdade. Todavia, se falta um toque de magia em alguns pratos, em outros transborda perfeição, com a transformação de ingredientes incomuns em pratos sofisticados e encantadores, cheios de contrastes de texturas, cores e sabores.
Este restaurante, certamente, honra a estrela Michelin que ostenta. E, por isso, merece os meus aplausos e o meu retorno.

INFORMAÇÕES:
O restaurante fechou as portas!
Funcionava na Rua Haddock Lobo, 1002 – Jardim Paulista;
E tinha o seguinte número de telefone: (11) 3062-0866.

#Epice #AlbertoLandgraf #Chef #Michelin #Gula #Gourmet #Gastronomia #Foodie #FoodBlogger #Eat #comerebeber

Mais restaurantes que praticam a gastronomia molecular:
Tegui (Buenos Aires);
Aramburu (Buenos Aires).


terça-feira, 24 de novembro de 2015

Bistrô l'entrecôte d'Olivier


Da simples análise do nome do restaurante, extraímos duas informações. A primeira é que Olivier Anquier, modelo, padeiro, chef de cozinha e apresentador de televisão, é o dono do estabelecimento. A segunda é que a casa comercializa o corte de carne “entrecôte”, trabalhando com um único prato, como o modelo francês. Paga-se R$ 78,00 pela composição: salada, entrecôte e fritas.
A fachada do restaurante é toda revestida com ladrilhos bem coloridos, que conferem um certo ar de leveza. No interior, a utilização de vidros, tanto nas paredes quanto no teto, deixa o ambiente extremamente bem iluminado. As cores marcantes da fachada vão perdendo força no interior, deixando o salão clean e elegante.
O atendimento é excelente! Os garçons são simpáticos e educados. Oferecem-se para tirar fotos e fazem de tudo para agradar aos clientes.
Para beber, o garçom sugeriu uma "Jarra Saint Tropez" (1/2 litro - R$ 58,50; 1 litro - R$ 108,00). A mistura laranja fosforescente é composta de Aperol, espumante brut e rodelas de tangerina. Uma excelente pedida para um dia de verão, pois é seca, cítrica e altamente refrescante. Estávamos em 7 pessoas e 2 jarras foram suficientes para gente, durante o almoço inteiro. No copo, colocam gelo e rodelas de tangerina. Um capricho só!


O couvert custa R$ 7,20 por pessoa e oferece "pão especial Entrecôte e manteiga". O Olivier já foi dono de padaria, então, pode esperar um pão, realmente, apetitoso. Em cada cestinha, duas bolotas servidas quentinhas, com a casca ligeiramente dura e o miolo bem macio. Parece um mix de pão francês com italiano. Você passa a manteiga e ela se derrete. Muito bom!


A salada de folhas verdes e nozes é saborosa. O molho é untuoso, mas, como não consegui identificar os componentes, vou utilizar a descrição contida no cardápio: "salada com tempero característico francês".
O menu fixo (R$ 78,00) já inclui um prato de salada, mas, quem quiser uma salada extra, pagará R$ 24,60 por ela. Acredito que haja essa opção para as pessoas que querem dividir o prato principal, assim, cada uma recebe uma salada completa.


Como prato principal, a única opção disponível é o entrecôte regado com o molho especial da tia do Chef Olivier, Dona Nicole, acompanhado de fritas. O contrafilé é tão macio e suculento que parece um filé mignon. As batatas, cortadas bem fininhas, são sequinhas e crocantes. E o melhor é que são servidas constantemente e em abundância. O molho tem uma cor estranha, esverdeada. Os garçons dizem que é de mostarda e ingredientes secretos. Eu senti o gosto predominantemente de foie gras, embora eles não confirmem que o utilizam. De mostarda, sinceramente, não senti nem o cheiro. Por isso, se você não curte fígado, te aconselho a passar bem longe desse restaurante.


No quesito sobremesa, o carro chefe da casa é a "Mousse Royal chocolate" (R$ 24,90), que chega até a mesa numa taça gigante e é servida na frente do comensal. A quantidade é assustadora, satisfazendo facilmente de 3 a 4 pessoas. A consistência aerada e cremosa é sensacional (odeio mousse preparada com gelatina sem sabor!). Ademais, é doce na medida certa. É, também, gostosa, mas não chega a ser a oitava maravilha do mundo.



Para os que conhecem tanto o Bistrô l'entrecôte d'Olivier quanto o L'entrecôte de Paris, comparações são inevitáveis, já que os estabelecimentos têm a mesma essência de trabalhar com o menu fixo de salada, entrecôte com molho de mostarda e batatas fritas.
Como eu achei o molho da salada do L'entrecôte de Paris bem sem graça, afirmo, sem nenhum pinguinho de dúvida, que a salada do Olivier, temperada com primor, é melhor.
Para mim, os cortes e as batatas são igualmente bem executados e saborosos nas duas casas. Quanto ao molho, para falar a verdade, nenhum dos dois me conquistou. E olha que eu amo molhos francês, pois são encorpados e gordurosos. O do L'entrecôte de Paris tem o sabor da mostarda acentuado; o do Olivier, tem o do foie gras. Aí, é questão de gostoso. Eu fico com o primeiro, já que o sabor da mostarda soa bem mais agradável às minhas papilas gustativas do que o do fígado.
A sensação final, após o banquete francês, é que, com tanta praticidade na hora de "escolher" a comida, parece que acabamos de almoçar na casa do Olivier Anquier. Chegamos, sentamos, a comida e a bebida foram sendo servidas, e nós fomos devorando tudo com curiosidade e atenção. Foi, certamente, uma prazerosa refeição.

INFORMAÇÕES:
Bistrô l'entrecôte d'Olivier
Alameda Lorena, 1821 - Jardim Paulista
Tel.: (11) 3063-4107

Matriz: Rua Dr. Mário Ferraz, 17 - Itaim Bibi
Tel.: (11) 3034-5324

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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

ChefVivi: criatividade e explosão de sabores!!!

Nada melhor para quebrar a rotina da semana do que ir jantar num restaurante de espírito livre, sem cardápio fixo, que prepara pratos criativos com os ingredientes frescos do dia. Assim é o ChefVivi, um restaurante acanhado (pequenino), mas que sabe se impor e conquistar os clientes.
A monotonia passou longe e “O Guia Michelin 2015: Rio de Janeiro & São Paulo” alerta aos conservadores: “Se você é do tipo que frequenta o seu restaurante favorito para comer sempre o mesmo prato, não vá ao ChefVivi. Uma das características desta chef, que já foi sócia de uma premiada casa em Pequim, é a sua obsessão em diversificar e testar novas receitas permanentemente”.


Num salão pequeno, cheio de charme, intimista e com uma pitada de sofisticação, 3 pessoas se revezam servindo, aos comensais, os pratos preparados com beleza e alquimia pela Chef Viviane Gonçalves. Os garçons, embora pareçam sumir em alguns momentos, são extremamente polidos e atende com atenção e cuidado.
Nós optamos pelo Menu Degustação, que custa R$ 150,00 por pessoa e é servido em 5 tempos (2 entradas, 2 pratos principais e 1 sobremesa). Muitos alimentos orgânicos, combinação de texturas e exploração de cores e sabores distintos, mas que se complementam. Eu sou simplesmente apaixonada por este tipo de culinária, em que um ingrediente dá vida ao outro e precisam ser apreciados conjuntamente, para aguçar ao máximo o paladar.
Para iniciar a noite, pedi uma Margarita, de um sabor tão intenso, que marca e acalma.


As comidas que participam do Menu Degustação são selecionadas, pela Chef (e não pelo cliente!), dentre as opções constante do cardápio daquele dia. Alguns podem achar ruim ser a Chef quem escolhe o que eles irão comer. No entanto, eu acho instigante, pois acredito que a profissional irá escolher o que há de melhor entre as criações do dia e irá me surpreende de maneira positiva.
A primeira entradinha servida foi: "Creme de couve manteiga orgânica, azeite trufado, amêndoas tostadas e brotos orgânicos". Uma pitada de sal maldon e raspas de limão siciliano finalizaram o creme. Misturei tudo e apreciei cada colherada. Vejam que perfeição! Parecia um lago denso com folhagem na borda. Lindo de ver e de comer!


Como mimo da Chef, a Vivi nos agraciou com o simples, mas gracioso, couvert da casa, composto de focaccia orgânica com ervas e alho assado, naan orgânico com iogurte, naan orgânico integral e manteiga aviação com ervas e sal maldon. Pães quentinhos, macios e fresquíssimos.


Como segunda entrada, tivemos "Repolho orgânico tostado, abóbora de pescoço orgânica ao forno, molho de queijo de cabra e talos de couve manteiga orgânica". Pela descrição, achei que não fosse gostar. Ledo engano!!! Para mim, foi a melhor iguaria da noite. O sabor forte, e um tanto azedo, do queijo de cabra em contraste com o adocicado da abóbora, realmente, funcionou. E o repolho, meio inexpressivo, conferiu uma certa crocância ao prato. D-I-V-I-N-O!!! Minha vontade era deixa a etiqueta de lado e raspar todo o prato, para não desperdiçar nenhuma gota (rsrsrsrs).


O primeiro prato principal (terceiro da degustação) foi "Beijupirá ao forno com creme de mandioquinha defumado, salva de cogumelos, pimenta dedo de moça e crispy de couve manteiga". Eu não morro de amores por peixe e achei a combinação bem sem graça. O pescado estava insosso e a defumação do creme de mandioquinha fez com que ele ficasse estranho para o meu paladar.


Quando vimos o cardápio, a nossa torcida era para que o “Roast beef (Wagyu) finalizado com pó de shitake seco e pimenta Sichuan, acompanhado de arroz negro com alho poró, redução de vinho tinto e lasca de cebola roxa” fosse um dos pratos servidos no Menu Degustação e, para nossa sorte, ele o foi. Deliciando-se com a iguaria, todos se perguntaram: “Que carne é essa?!?!”. Macia ao extremo e esbanjando suculência. E a Petônia, que está na foto que postarei logo mais, exclamou: “Isso aqui é filé mignon de um boi beeeem preguiçoso, pois está bom de mais!!!”. A redução de vinho tinto era adocicada. A maciez do beef contrastava com a dureza do arroz negro. Mais um prato encantador!!!
Parêntesis: perceberam quantas exclamações eu utilizei em um único parágrafo? É porque essa combinação é ESTUPENDA!!! (Mais exclamações... huahuahua).    


De sobremesa, “Torta de chocolate belga 70%, polvilhada com castanha do Pará picada e creme anglaise. A textura da composição era muito interessante. A torta tem um sabor intenso. Eu achei bem amarguinha, pois não gosto de chocolate amargo. Mas o creme anglaise suavizava um pouco o amargor. O Daniel achou a melhor parte do Menu.


A degustação acabou levando mais tempo do que gostaríamos, mas revelou-se uma experiência gastronômica deliciosa. Deixou um gostinho de: (a) quero mais; (b) quero ver do que a Chef Vivi é capaz; (c) quero viver outros momentos como este; (d) quero comer sempre desta forma: muito bem.
No final, para encerrar a nossa noite com chave de ouro, eu e a Petônia tiramos uma fotinho com a fofa Chef Vivi.


Parabéns, Chef Vivi, por saber nos receber de forma tão graciosa e especial!!! São momentos agradáveis como este que me motivam a comer e, depois, a escrever ;o)   

INFORMAÇÕES:
ChefVivi
Rua Girassol, 833 C – Vila Madalena
Tel.: (11) 3031-0079 (Imprescindível reservar, o que pode ser feito apenas pelo telefone)

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