domingo, 19 de janeiro de 2014

CANDELA: comer & beber à luz de velas!

Minha amiga maceioense, Clae, comunicou-me, através do WhatsApp, que estaria aqui em São Paulo no dia do seu aniversário, sexta-feira, 17 de janeiro, e queria sugestões do que fazer. Eu falei: "Vamos no Mozza, um barzinho que fica na Oscar Freire e eu estou louca para conhecer". Conversa vai, conversa vem, ela acabou escolhendo o Candela, um restaurante que eu não conhecia nem tinha ouvi falar. Fomos lá!
Candela, em latim, significa vela. E esse objeto é bem explorado na decoração do lugar, que é belíssimo. É um desses lugares que te fazem pensar: "esse é o tipo de ambiente que me faz ter vontade de sair de casa, numa sexta-feira à noite, após uma longa semana de trabalho!". As paredes laterais, revestidas com tijolos aparentes, têm espaços estrategicamente sem 2 ou mais tijolos, formando nichos onde são colocadas velas acesas para compor a decoração e a iluminação, toda à luz de velas, exceto por alguns spots no teto, que emitem uma luz bem fraca. A ambientação é bem intimista e sedutora.


Há vigas de madeira no teto e vários espelhos, com belas e trabalhadas molduras, espalhados pelas paredes laterais. Mas o destaque da casa fica com o bar, localizado no fundo do salão e perfeitamente iluminando.



A carta de coquetéis oferece opções clássicas, como Cosmopolitan, Dry Martini, Negroni e Blood Mary, e drinks exclusivos, caso da Caipiroska Candela (vodka Ciroc, uva, limão e mel), apreciada por mim.



De entrada, eu e o Daniel escolhemos a porção de "rolinho de queijo de cabra e molho doce". A massa estava bem crocante, mas nem o recheio nem o molho me agradaram. O queijo de cabra não derrete absolutamente nada, ficando com uma consistência pastosa muito intensa, e o molho doce, que eu pensei que seria um reestudo do agridoce chinês, na verdade, era uma geleia de frutas vermelhas, cujo doce passou lá longe. Assim, a perfeita combinação do doce com o salgado ficou bastante prejudicada.



Minhas amigas pediram: "mini canapés de steak tartare" e "bruschetta de queijo brie com tomate e rúcula". A primeira estava gostosa, embora o gosto da mostarda estivesse forte para o meu paladar e a apresentação fosse amadora; achei a segunda seca. Na minha opinião, o queijo brie precisa ser complementado com patês, geleias ou frutas, para deixar a bruschetta um pouquinho úmida. Resumindo: as entradinhas não convenceram!



No hora do jantar, pedi o "Ravioli di Candela" (massa fresca recheada de camarão ao molho de limão siciliano). Esse, sim, foi uma boa pedida! Delicioso! Recheado com camarões médios inteiros e coberto com um suave molho al limone.


No menu de sobremesas, não encontrei novidades (cheesecake, pannacotta, crème brûlée, creme de papaia, petit gateau e frutas da estação). Escolhi o crème brûlée, que vem acompanhado de nutella. O creme e a crosta de açúcar maçaricado estavam como têm que ser, entretanto, achei excessiva a quantidade de nutella. Talvez essa impressão tenha como origem o fato de que eu adoro crème brûlée e não sou muito fã de nutella, ou seja, por mim, essa nutella, numa das minhas sobremesas prediletas, foi despropositada. Mas entendo que a intenção da Chef foi oferecer uma opção diferente da iguaria francesa.
      

Eu confesso que, sabendo que o super Chef Erick Jacquin é consultor culinário do estabelecimento, esperava mais. 
Com relação ao atendimento, aconselho aos que querem apenas jantar, chegarem cedo, quando a casa ainda está meio vazia. A partir das 23:00, o pessoal que frequenta a balada localizada nos fundos do restaurante, mas com entrada exclusiva, começa a chegar, preenchendo completamente as mesas do salão, o que deixa o atendimento bem complicado. Os garçons circulavam freneticamente e era praticamente impossível conseguir chamar a atenção deles.
Outra coisa que chamou a minha atenção, foi alguns errinhos de grafia no cardápio. Eu sei que errar é humano e eu erro pra caramba, mas o cardápio não é nenhuma Bíblia, que não consiga ser revisado antes de ir para impressão. Crème brûlée, estava escrito "creme brulée"; mojito, "mojio"; e cheesecake, "cheese cake". Como eu falei anteriormente, são pequenos erros, mas, num restaurante desse nível, espero que esteja tudo impecável.    

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

As microcervejarias da NELSON 151

            A cerveja é a bebida alcoólica mais consumida no mundo e seu 2º maior produtor é os Estados Unidos, que perde apenas para China. E este posto ocupado pelo país norte-americano se deve, em muito, ao surgimento de várias microcervejarias espalhadas pelo seu território, responsáveis pela produção de cervejas artesanais, com aromas e sabores diferenciados.
O povo americano, extremamente patriota, tem consumido quase que exclusivamente cervejas nacionais. E nós, na nossa viagem de fim de ano, tentados a descobrir mais esta especialidade americana, aproveitamos para conhecer as três microcervejarias localizados na Rota 151 (Nelson 151): Blue Mountain Brewery, Devils Backbone Brewing Company e Wild Wolf Brewing Company.
Primeiramente, antes de começar a descrever nossas experiências gastronômicas e etílicas, preciso fazer duas observações:
1ª) fomos apenas almoçar ou jantar nos restaurantes das cervejarias e conhecer e provar suas criações líquidas, não participamos de nenhum tour, nem tomamos conhecimento do processo de fabricação;
2ª) como dito no post anterior, não bebo e não aprecio cerveja, embora meu querido marido se esforce arduamente para mudar esta realidade. Portanto, quando for falar das cervejas, utilizarei as impressões do meu cônjuge, Daniel, que entende mais dessa bebida do que eu de comida, pois, além de estudar constantemente, já fez cursos de degustação e fabricação caseira, bem como já bebeu 1.028 cervejas diferentes (todas devidamente catalogadas, frise-se!).
Esclarecimentos iniciais prestados! Passemos as análises…

I.     BLUE MOUNTAIN BREWERY


Fomos almoçar nesta microcervejaria no dia 24 de dezembro e a casa nos recebeu com uma decoração natalina na tonalidade azul, como não poderia deixar de ser.


Com um grupo de 13 pessoas e o restaurante sem aceitar reservas, chegamos cedo para conseguir lugar sem ter que esperar. Acabamos sendo acomodados em duas mesas fixas que ficavam uma ao lado da outra.
O cardápio é bem jovial, oferecendo várias opções de entradas, saladas, sanduíches e pizzas. Para começar, pedimos duas porções de "BMB Nachos" (tortillas chips caseiras servidas com queijo temperado com cerveja e pimenta, feijão preto, milho, salsa e jalapeños, finalizadas com sour cream) e de "Spinach-Artichoke Dip" (creme composto de alcachofra picada, espinafre em tirinhas, queijo, alho, sour cream e tomate seco, gratinado com mussarela e parmesão, servido com tortillas chips caseiras).
Olhando para os nachos, vocês podem se perguntar: que gororoba é essa? Trata-se de um prato tipicamente mexicano e, por incrível que parece, os sabores acabam se harmonizando. E o "doritos" chuchado (como diz o meu maridinho) no dip de alcachofra com espinafre fica bem gostoso. Só tenho uma observação a fazer: o dip poderia ser menos consistente. É impressionante como a tortilla de milho neutra harmoniza com vários sabores, sendo os mais comuns chilli com carne e dip de cheddar.



Nos EUA, é uma questão de segundos para sairmos da linha, pois a variedade de guloseimas é incrível. Já tendo exagerado nas entradas, não quis pedir sanduíche de prato principal. Optei por uma tradicional salada caeser (que é uma das minhas preferidas) acompanhada de tirinhas de frango grelhado.            


Nos restaurantes e bares que funcionam em conjunto com fábricas de cerveja, é bem comum encontrarmos nos cardápios o que os americanos chamam de "sampler flight", que nada mais é do que uma degustação de todas ou algumas cervejas produzidas no local. No caso da Blue Mountain Brewery, o menu apresentava apenas uma opção de sampler flight, que custava $ 9,00 (nove dólares) e continha amostras (copinhos de 75 ml) das 10 criações da marca: Blue Mountain Kolsch 151, Blue Mountain English Pale Mild Ale, Blue Mountain Full Nelson Pale Ale, Blue Mountain Evan Almighty, Blue Mountain Riprap Pale, Blue Mountain Cheer Beer, Blue Mountain Lights Out, Blue Mountain MacHayden’s Wee Heavy Scotch Ale, Blue Mountain Marsedon e Blue Mountain Foreign Stout.



O Daniel, que gosta bastante do estilo American Pale Ale, adorou a versão Blue Mountain Full Nelson Pale Ale, que é o carro chefe da marca. Meu primo, que toma cerveja como um brasileiro comum, ou seja, gosta do estilo Standard American Lager, erroneamente chamado de Pilsen no Brasil, preferiu a Blue Mountain Kolsch 151.           

II.    DEVILS BACKBONE BREWING COMPANY



Saindo de Wintergreen em direção à Rota 151, a primeira microcrevejaria que avistamos é a Devils Backbone. Talvez esse seja um dos motivos dela ser a mais concorrida das 3, mas eu arriscaria dizer que o motivo principal é o seu cardápio, que vai muito além dos appetizers e sanduíches.
Espaçosa e toda decorada com animais empalhados, nas mais diversas posições. É possível ver ursos pretos (lindos!), renas e veados dispostos pelo enorme salão.


De entrada, pedimos, mais uma vez, nachos (tortillas cobertas com pimenta moída, feijão preto, queijo picante e pico de gallo) e "backbone wings" (asinhas de frango com ervas e molho barbecue).


Se você já visitou os Estados Unidos, deve ter percebido que as porções servidas em restaurantes, de um modo geral, são bem grandes. O que é bem legal para quem come muito e meio constrangedor para quem, como eu, se satisfaz com pouco.
Na hora de escolher o prato principal, eu e minha mãe resolvemos dividir. Até bem pouco tempo atrás, eu notava que os americanos não gostavam dessa história de repartir, mas, dessa vez, não percebi aborrecimento nenhum. Talvez estejam mudando um pouco seus hábitos alimentares. O que, além de necessário, é muito saudável!
Escolhemos uma salada, composta de alface americana (e a "pergunta cretina" sempre era: será que eles também chamam de alface AMERICANA?), pepino, bacon bits, tomate levemente assado, cebola vermelha, molho de ervas e farofa de blue cheese. Pedimos, ainda, meio frango temperado com alho, páprica e alecrim, assado com glacé de bacon-honey mustard (deliciosa!) e acompanhada de couve-de-bruxelas e pão de milho doce, feito com batata. Esse pãozinho tinha consistência de bolo e, por incrível que pareça, harmonizou com a galinha, revelando-se uma guarnição perfeita.   



Chega até a ser irônico deixar para falar das bebidas por último, após narrar toda a refeição, pois, nos EUA, os garçons anotam primeiro o pedido das bebidas e depois voltam para anotar todo o resto. Em um caso ou outro, com um pouco de insistência de nós, os clientes, e simpatia do garçom, conseguíamos pedir bebidas e entradas simultaneamente. Como estávamos num grupo grande, foi fácil notar esse fato, algo que, até então, nunca tinha percebido.
 

Para bebericar, escolhi uma marguerita chamada de "Blood Orange" (numa tradução literal: laranja de sangue), o drink resultava de uma mistura de tequila, uma espécie de laranja com cor de sangue, limão e um xarope que não sei ao certo de que era (sage syrup... seria xarope de sálvia?). Coquetel refrescante e saboroso. Com certeza, pediria bis (se não fosse tão fraca!).
A Devils Backbone Brewing Company produz 12 cervejas, servidas na forma de chopp no brewpub. Não há opção única de degustação! Para provar todas, é possível pedir um copo de cada uma (lógico!) ou 3 sampler flight com amostras de 4 cervejas cada um. Apesar de ter pedido apenas 2 degustações, o Daniel acabou provando as 12, pois se aproveitou das amostras pedidas por outras pessoas. A favorita foi a "Eight Point IPA", uma American IPA.     

III.  WILD WOLF BREWING COMPANY
Na propriedade da Wild Wolf, encontramos o prédio do restaurante, interligado à cervejaria, e umas lojinhas, que comercializam, dentre outras coisas, gifts, temperos e acessórios. Eu diria que é uma vila bem charmosinha, com um laguinho e um moinho de água no meio.
Nossa mesa, para 10 pessoas, ficou no salão de entrada, onde fica o balcão com os souvenirs (placa, copo, camisas...) da marca. O estabelecimento é bem dividido. Tem, ainda, um bar nos fundos, um salão adaptado para o frio na área lateral externa e uma varanda na frente, que deve ser bem concorrida no verão.
O cardápio é bem farto, com várias opções de entrada, sanduíches, pratos e sobremesas. Como fomos à noite, acabei optando por um sanduíche recheado com frango desfiado com molho barbecue, acompanhado de coleslaw (salada de repolho com maionese que eu A-M-O!) e batata doce frita. Eu simplesmente adoro tubérculos (batata, batata doce, mandioquinha...) em suas mais distintas formas: cozidos, fritos ou amassados (purê)! O frango estava bem macio e o molho barbecue suave e delicioso.


As 11 cervejas da casa estão separadas em 2 sampler flights:
1º) com 5 beers da casa ($ 5,00): american pilsner, blonde hunny ale, wee heavy, dry stout e alpha ale;
2º) com 6 cervejas sazonais ($ 6,00): berliner Wolf, area 151 with peaches (com pêssego), wild wolf bitter, the local wolf, exquisitely evil ale e American stout.
Danzinho pediu as duas degustações, afinal, não quer perder nada. A cerveja que mais gostou foi a exquisitely evil ale. Entretanto, das três fabricantes, essa foi a que ele achou mais fraca.  


Mesmo não gostando de cerveja, adorei os nossos passeios (pois estava com a minha família e aí tudo fica maravilhoso!) e recomendo a quem estiver na região que aproveite cada um desses restaurantes e, gostando de cerveja, prove todas elas. 
Em Wintergreen é assim, dá para passar o dia esquiando e, à noite, sair do resort para tomar uma loira gelada.    
   

domingo, 12 de janeiro de 2014

NELSON 151 & BOLD ROCK HARD CIDER

Se você gosta de vinho, cerveja, sidra e/ou destilado, estando no estado norte-americano da Virginia, deve se dirigir ao Condado de Nelson, pois na Rota 151 (Nelson 151) estão localizadas 7 vinícolas, 3 micro cervejarias, 1 fábrica de sidra e 1 destilaria.
Eu e minha família, que fomos passar o natal em Wintergreen, aproveitamos a ocasião para conhecer os restaurantes das 3 micro cervejarias, onde, além de nos alimentarmos e abusarmos na quantidade de calorias, parte dos meus familiares degustou as produções locais (como não gosto de cerveja, não participei ativamente dessa atividade). Entretanto, vou deixar esse assunto para o próximo post. Hoje, quero falar sobre a "sidreria", chamada de "Bold Rock Hard Cider".



Observando as vinícolas ganharem fama e as micro cervejarias faturarem prêmios, John Washburn, dono de uma fazenda localizada às margens do Rio Rockfish, decidiu fundar uma fábrica de sidra para completar o circuito etílico da região. Para tanto, precisava de alguém que soubesse como produzir tal bebida. Foi aí que entrou em cena o seu futuro parceiro, Brian Shanks, um "mestre sidreiro" (cidermaster) que já havia trabalhado e dado consultorias na Austrália, China, Europa e Estados Unidos. Os dois se tornaram amigos e fundaram a empresa "Bold Rock Hard Cider".


Para quem não conhece, a sidra é uma bebida refrescante preparada com suco de maçã fermentado e normalmente vendida em garrafas long neck. Seus maiores produtores são Inglaterra, Irlanda e França. Em que pese não ser popular no Brasil, onde só ouvimos falar da Cereser, geralmente associada à comemorações mais humildes, trata-se de uma bebida adorada pelo povo europeu.    

  
Atualmente, existem 7.500 (sete mil e quinhentas) espécies de maçã no mundo. No entanto, para produzir suas 4 preciosidades, a "Bold Rock Hard Cider" utiliza apenas 12 tipos de maçã, todos cultivados no estado da Virginia.
Esta "sidreria" abre as suas portas os 7 dias da semana, das 11:00 às 17:00, oferecendo tours e degustações de graça. Quando chegamos, a fábrica já estava quase fechando, por isso, não fizemos o tour, partimos logo para a diversão, a prova das sidras.
A primeira que nos serviram foi a "Bold Rock Virginia Apple", produzida com 2 espécies de maçã (predominando a verde) e cujo teor alcoólico é 4.7%, deve ser consumida gelada. Foi a minha preferida! Em seguida, trouxeram a "Bold Rock Virginia Draft", preparada com várias maçãs vermelhas, acaba sendo menos ácida que a primeira. Suave, é perfeita para qualquer situação.
As duas sidras que foram servidas por último fazem parte da linha premium do fabricante, sendo comercializadas em garrafas iguais as de champanhe e com a graduação alcóolica maior que as anteriores (6.9%). São elas: "Crimson Ridge Vat nº 1" e "Crimson Ridge Vintage Dry". Esta última lembra um prosecco.


No final, gostando do que provou, você pode comprar umas garrafas e levar pra casa. No local, também estão à venda alguns souvenirs, como camisetas e copos.
Eu, que não bebo cerveja e não sou muito fã de vinhos, adorei as sidras! Pena que elas ainda não caíram no gosto dos brasileiros. Em todo caso, eu aconselho: caso se depare com uma sidra da marca Bold Rock, dê-lhe uma chance. Cheers!   

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

TURISMO GASTRONÔMICO


Para começar 2014 com o pé direito, vou descrever um passeio gastronômico sensacional que eu e minha família fizemos na cidade americana de Charlottesville. Isso mesmo, um passeio gastronômico! Um jeito diferente e divertido de conhecer destinos turísticos que vem se desenvolvendo ao redor do mundo e tem como atração principal a degustação de delícias locais.
A empresa "Charlottesville Food Tour" oferece duas opções de roteiro: “C'Ville Downtown Delights Tour” e “Savor Charlottesville Tour”. Ambos têm 3 horas de duração, o mesmo ponto de partida, no máximo 10 participantes e acontecem aos sábados, mas o preço e o horário são diferentes. Escolhemos a primeira opção, que começou às 10:00 e custou $ 42,00 (quarenta e dois dólares - ingressos comprados através da internet) por pessoa.
Quem comanda o grupo de turistas comilões é a simpática Rachel, food lover e dona da empresa, que nos guia pela área de um Shopping a céu aberto localizado no Centro Histórico de Charlottesville (Charlottesville's Historic Downtown Mall). Visitamos os mais diversos estabelecimentos gastronômicos, conhecemos os seus donos e chefs e provamos quitutes de deixar qualquer gourmand com água na boca.
O passeio inteiro percorre cerca de 2.5 km, mas segue tão naturalmente que a gente nem percebe. As porções, com exceção do frango servido no The Whiskey Jar, são pequenas, mas totalizam uma quantidade bastante razoável de comida (eu, que como pouco, não consegui ingerir tudo!). No final, estávamos todos satisfeitíssimos e reparem que éramos um grupo bem heterogêneo.
Havendo vegetarianos ou pessoas com alguma restrição alimentar, é possível haver substituição dos pratos. Tudo para satisfazer o cliente!
Agora, vamos deixar de enrolação e passar para a diversão, ou seja, a narração da nossa aventura.
No sábado, dia 04 de janeiro de 2014, bravamente, eu e minha família (pais, marido, sogros, tios e primos) vestimos nossas ceroulas, blusas térmicas, meias, casacos, cachecóis, gorros e luvas, e fomos enfrentar o frio (não sei a temperatura certa, mas era abaixo de zero) com o propósito de satisfazermos nossa gula, pois o turismo foi apenas um pequeno detalhe neste passeio gastronômico.  

1. The Spice Diva: “Make Life Delicious”



Nossa primeira parada foi numa casinha roxa, que mal comportava os 10 participantes do tour, repleta de especiarias, sais, pimentas, chás e extratos dos quatro cantos do mundo. Fomos recepcionados pela dona da loja, uma ex-cantora de ópera, que foi nos mostrando os produtos mais populares e os mais exóticos. O tempo da visita foi curto, pois o passeio precisava prosseguir, mas consegui adquirir algumas preciosidades (chipotle, applewood smoked salt, mushroom salt e um mix de especiarias para fazer quentão e vinho quente) e, ainda, comprei favas de baunilha por $ 2,00 cada (no Brasil, uma fava custa em média R$ 15,00).
Esse é o tipo de loja que leva qualquer amante da boa cozinha à loucura. Eu e meu marido passaríamos horas analisando cada opção e sentido seus aromas.

2. Milli Joe Coffe & Gelato: “Machines Don't Make Coffee - People Do!”



Na hora do cafezinho, nos dirigimos ao Milli Joe Coffe & Gelato. A apresentação do cappuccino servido comprova a crença do barista Nick Leichtentritt, proprietário da cafeteira, de que não são as máquinas que preparam o café, mas, sim, as pessoas. Para acompanhar, um saboroso e fofíssimo waffle belga, coberto com morangos e polvilhado com açúcar de confeiteiro. Já tendo comido outros waffles nos EUA, na Bélgica e na Holanda, afirmo que este foi o melhor waffle que já degustei na vida. Pena que o pedaço era "amostra grátis"!

3. Flora Artisanal Cheese


Este pequeno quiosque de queijos artesanais (americanos e europeus), localizado no mesmo espaço que o Milli Joe, é um verdadeiro pedacinho do céu para os amantes do mencionado laticínio. Provamos um delicioso queijo de cabra, cuja textura e aparência lembravam o brie, mas com a casca embolorada, parecendo a de um gorgonzola. Acabamos comprando uma unidade do queijo para comer em casa e uma geleia de pêra com gengibre, de um produtor local (JAM according to Daniel).
Mais uma vez o tempo foi curto, não conseguimos provar outros queijos comercializados. Entretanto, irei defender a Rachel! Sua proposta é nos mostrar os lugares e, assim, poderemos voltar outras vezes ou, mesmo, após o tour.

4. The Whiskey Jar


Usando ingredientes produzidos por fazendeiros locais, o The Whiskey Jar é especializado na culinária tradicional da região de Piedmont no Estado da Virgínia. Comemos um frango caipira marinado no tabasco e buttermilk, empanado com farinha de pão caseiro com ervas, acompanhado de couve cozido com bacon. A guarnição não me agradou muito, mas adorei a crosta de farinha com ervas. O prato de cada pessoa tinha uma parte diferente do frango; tive a sorte de pegar o peito. Como dito no começo, esse prato tinha um bom tamanho, provavelmente o da porção regularmente servida no restaurante. De todas comidas saboreadas, está foi a que achei mais fraca.

5. Hamilton's at First & Main: “Contemporary Fine Dining”



               Localizado no coração do Centro Histórico de Charlottesville, esse restaurante, especializado na culinária americana contemporânea, tem como chef o jovem e talentoso Curtis Shaver, que fez questão de ir até a nossa mesa nos cumprimentar e perguntar o que tínhamos achado da iguaria servida: um crabcake (M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O) acompanhado de um talharim tailandês (que, como toda comida tailandesa, estava bem apimentado). Eu falei que o crabcake estava maravilhoso, mas sou suspeitíssima, pois adoro esse quitute americano, feito com a carne suculenta e farta do kingcrab. Entretanto, até o meu marido, que não é fã de crabcake, ficou extasiado e disse: “Este foi o melhor crabcake que já comi!”.
               Tanto a comida ofertada quanto o ambiente do estabelecimento foram os que mais me agradaram no tour. Quero voltar para provar outras obras de arte criadas e preparadas pelo chef Curtis.

6. The Flat: Creperie


Nos fundos de um teatro, encontramos uma creperia chamada The Flat. Não há mesas, nem cadeiras. Os crepes são vendidos “para viagem” através de uma janelinha. As opções doces e salgadas variam diariamente. No tour, estava incluído o crepe “epic veg”, recheado com vegetais da estação e queijo. Para tentar me aquecer, comprei  a “bebida do dia”, uma hot spiced cider (cidra quente com especiarias), por $ 2,00.

7. Brookville Restaurant: “Locally Conscious Cuisine”



Fomos recebidos, neste restaurante familiar, pela esposa do chef, que segurava em seus braços a filhinha de 1 ano. Orgulhosamente, ela nos contou um pouco da história do estabelecimento. Eu diria que, em termos de apresentação e tratamento, este restaurante abocanhou o primeiro lugar do tour. No balcão do bar, que comportava os 10 participantes sentados, encontramos pratos e guardanapos sobre sousplats de pano, água servida em potes tipo de conserva, copos com a cidra first fruit da marca Foggy Ridge e cardápios especialmente impressos com a bebida e comidas servidas aos integrantes do food tour.
O próprio chef trouxe o prato principal: ovo cozido em baixa temperatura acompanhado de uma espécie de purê com bacon e queijo defumado, finalizado com um toque de maple (famoso xarope americano, comumente comido com panquecas). Os americanos adoram esta estranha (pelo menos para mim) mistura de maple com bacon. O ovo estava perfeitamente cozido; para tanto, o chef usa uma máquina especial que controla a temperatura do cozimento e não deixa que o ovo passe do ponto. O purê estava muito saboroso. Como eu achei que o maple não harmonizou com o resto da comida, tentei ir pegando apenas o ovo e o purê, sem atingir o maple.
O chef nos explicou que a inspiração para esta criação foi o desejo de obter, em um único prato, uma mistura de texturas e sabores: o macio do ovo, o crocante do bacon, o defumado do queijo, o salgado do ovo e do purê com o doce do maple. Ideia bastante interessante!
               De sobremesa, ofereceram, em embalagens para viagem, um bacon chocolate chip cookie.

8. Cappellino's Crazy Cakes



Reza a lenda que, se uma grávida estiver com problemas para dar à luz, basta se dirigir até esta doceria e comer dois cupcakes de limão, que ela sai de lá direto para maternidade. A Rachel nos contou que este assunto virou até manchete de um programa de tv.
A doceria, de propriedade dos irmãos Frank e Dotty Cappellino, oferece mais de 20 sabores de cupcakes, perfeitamente decorados, e diversos cookies.
No tour, podíamos escolher um cupcake ou um cookie. Optei por um cupcake de red velvet, sabor de bolo americano que eu A-D-O-R-O, ele tem a massa vermelha e é coberto e recheado com uma mistura a base de cream cheese. Apesar de lindo, achei o bolinho com um gosto muito forte de essência. Quem pediu cookie, não se arrependeu!

Eu tenho certeza de uma coisa, a partir de agora, não viajo sem antes pesquisar se no destino escolhido há um “food tour”, pois, assim, tenho a certeza que vivenciarei momentos de puro prazer.